Pág. Inicial
Novidades Rápidas
Quem somos

Fala Narnia
As Crônicas+
.Sobre as 7 crônicas
.Aslan e Magia Profunda
.O Sobrinho do Mago
.O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa
.Príncipe Caspian
.A Viagem do Peregrino da Alvorada

Os Filmes+
.Produções
.O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa
.Príncipe Caspian
.A Viagem do Peregrino da Alvorada

C.S.Lewis
Vídeos&Trailes

Fora das Fronteiras
Entrevistas
Resenhas+
cinema
literatura

Curiosidades de Narnia
Links & Parcerias
Blog Fala Narnia
Imagens
Contato
Agradecimentos
FAQ - Dúvidas?
Créditos*

O Sobrinho Do Mago

O Sobrinho Do Mago – O Cristianismo por trás da Criação


“O que aqui se conta aconteceu há muitos anos, quando vovô ainda era menino. É uma história da maior importância, pois explica como começaram as idas e vindas entre o nosso mundo e a terra de Nárnia.” Com essas palavras C.S.Lewis começou a escrever o livro que explicaria toda uma coleção. “O Sobrinho Do Mago”, apesar de primeiro na lista, foi um dos últimos a serem escritos da série “As Crônicas de Nárnia”. Nele também estão as alegorias comuns que C.S.Lewis fazia. A simbologia é grande, assim como pequenos detalhes que demonstram o pensamento desse Mestre.

Digory é Lewis?
Deve ser o livro com o qual Lewis mais mostrou seus sentimentos particulares quando criança. Em Digory (protagonista ao lado de Polly) Lewis retratou à si mesmo, quando ele via sua mãe morrer aos poucos por conta do Câncer. Ambos nasceram no fim do século XX, Lewis em 1898 e Digory em 1888(apenas 10 anos de diferença). A mãe de ambos já estava destinada à morte pelo grave câncer quando eles ainda eram crianças, embora Digory pode salvar sua mãe (isso veremos mais à frente). Ambos tiveram um pai distante. Seja por que Digory estivesse afastado dele fisicamente, uma vez que ele estava na Índia, ou por que Lewis viu seu pai sofrer e desabafar sobre os filhos, afastando-os da relação pai e filho. Outro possível aspecto para comparação é a falta de fé. Tanto Digory, quanto Lewis, perderam sua fé ao verem sua mãe adoentar. Mas, enquanto Lewis foi ateu até uma idade mais madura, Digory recuperou sua fé ao ver a criação de Nárnia, talvez o modo que Lewis descobriu de mostrar seu sentimento de ter “perdido tempo”.
Repare que, se mais tarde Digory tornou-se o Professor Kirke e recebeu as quatro crianças de “O Leão, A Feiticeira, e O Guarda-roupa”, Clive tornou-se Professor Lewis e em sua casa, The Kilns, também recebeu 4 crianças devido à Segunda Guerra Mundial. Impossível não reparar no retrato que C.S.Lewis fez de si mesmo sobre a figura de Digory.

A Teoria da Predestinação
Voltando ao livro em si, podemos perceber, ao longo dos primeiros capítulos, que trata-se de uma pequena apresentação da teoria da predestinação. Apesar de Lewis crer que o livre arbítrio existe, ele demostra com muita sutileza o modo com que Deus prediz a vida de cada um. Se Deus no caso é Aslan, vemos a teoria uma vez que Aslan sabia que eles estariam na criação de Nárnia. Tal sabedoria não foi somente por Ele ser onisciente, mas por ele ter feito eles estarem ali. Os anéis, o lago para Charn, o lago errado que levou –os à Nárnia foi tudo arrumado e planejado pelo Todo Poderoso.

A Teoria dos Vários Mundos
O Bosque entre os mundos tem, no livro, um significado especial. As Crianças (Polly e Digory) se conhecem, invadem o sótão do Tio André, vão para o “bosque entre mundos”. Repare na descrição: “Não é possível imaginar bosque mais calmo. Não havia pássaros, nem insetos, nem bichos, nem vento. Quase se podia sentir as árvores crescendo. O lago de onde acabara de sair não era o único. Eram muitos, todos bem próximos uns dos outros. Tinha-se a impressão de ouvir as árvores bebendo água com suas raízes. (...) O mais estranho de tudo era que Digory tinha praticamente se esquecido de como viera parar ali. De qualquer modo, não se lembrava de Polly, de tio André ou mesmo de sua mãe. Não estava assustado, excitado ou curioso.” É possível notar que a paz era o principal elemento do bosque. Assim, pode-se dizer que ele seria local de repouso divino. Cria-se então o conceito de vários mundos, que Lewis apresenta com muita sutileza (apesar de não ser confirmado se era sua idéia). Deus pode fazer vários mundos, cada um com seu infinito e de seu modo, e neles agiu de maneira igual (criação/ salvação via o sacrifício). O Bosque seria então o local de descanso entre o cuidado de um “lago” e outro.

A Teoria do Mal no fim e no início e da Idade do Sol
É interessante notar que Lewis começa a explicar o mundo de Nárnia com o fim de um outro mundo – o apocalipse de Charn. Após estarem no bosque, as crianças pulam em um lago e param em Charn. Sobrou, naquele mundo em ruínas com um sol já velho, praticamente nada. Mas nesse nada ainda está o mal. O mundo terminou pelo mal que nele reinava. Tudo tornou-se nada e o mundo tinha acabado. Em uma das ruínas estava a provável família real(dos antigos do tempo bom com afeições simpáticas, aos que viveram no final com faces tomadas pelo desespero), toda imóvel e sem vida, e um sino ao centro do salão. O ambiente, assim como Digory percebe, era encantado e assim puderam ler o que estava escrito. Digory caiu na tentação de tocar o sino e a última figura do salão acordou: era a Rainha Jadis(semelhante à considerada rainha má dos judeus: Jezebel) que vinha a ser a “Feiticeira Branca” de “O Leão, A Feiticeira e O Guarda-roupa”. Ela representa o mal (Satanás encarnado em uma mulher descendente da irmã de Adão e dos gigantes), único sobrevivente depois do fim daquele mundo(somente o mal sobrevive em um mundo caído). O fato de Jadis ter vindo de outro mundo, mostra que o mal não foi criado por Deus junto com o mundo, mas estava em sua criação(veremos mais ainda).
Repare que nesse pedaço Lewis também apresenta outro conceito que mistura o tempo de vida do mundo com o tamanho e a luminosidade do Sol (quanto maior e menos amarelo o Sol, mais velho o mundo).

A Criação

Após saírem de Charn com Jadis, passearem pelo nosso mundo, voltaram os 3 ao Bosque entre mundos juntamente com Tio André, o cocheiro e seu cavalo. Então foram os seis seres parar no nada. Era o mundo “sem forma e vazio”, aonde somente haviam “trevas”(escuro) (Gênesis 1:2) como todos os mundos seriam antes da criação. ” Aqui é um mundo vazio. Aqui é Nada.” afirmou a feiticeira confirmando a identidade com o texto de Gênesis. Eis então outra questão, o “mal” (Satanás/Feiticeira) estava presente desde antes da criação, porém foi ele que infiltrou no mundo sem a permissão divina(repare que não o expulsou, nem se referiu a ele), assim como a versão bíblica.
Repare em um trecho do livro: “No escuro, finalmente, alguma coisa começava a acontecer. Uma voz cantava. Muito longe. Nem mesmo era possível precisar a direção de onde vinha. Parecia vir de todas as direções, e Digory chegou a pensar que vinha do fundo da terra. Certas notas pareciam a voz da própria terra. O canto não tinha palavras. Nem chegava a ser um canto. De qualquer forma, era o mais belo som que ele já ouvira. Tão bonito que chegava a ser quase insuportável.” Repare que a voz (que mais tarde descobrirão ser de Aslan e provocar a criação de Nárnia) tem relação com o “Verbo” do texto do Evangelho de João 1 (“No princípio era o Verbo(...) e o Verbo era Deus (...) Todas as coisas foram feitas por intermédio dele(..).“).
“(...) a escuridão em cima cintilava de estrelas.(...) Longe, perto da linha do horizonte, o céu se acinzentava.(...) Já se viam formas de colinas recortadas contra ele.(...) o sol nasceu(...)um vale através do qual serpenteava um grande e caudaloso rio(...)Mas era um vale apenas de terra, rocha e água(...)o vale ia ficando verde de capim(...)árvores(...)margaridas e botões-de-ouro(...)” O trecho transcrito assemelha-se, obviamente, à criação em etapas descrita no livro de Gênesis apesar de não respeitar sempre a ordem. Antes da descrição já havia o firmamento (chão) e, provavelmente (pois aparecem quando há iluminação já separadas da terra) as águas semelhando-se à ordem do nosso mundo. Mas então aparece a primeira diferença: as estrelas, em Narnia, apareceram antes da relva e das árvores. Depois são criados os animais de toda espécie e, ao invés da criação do homem do nosso Gênesis, há a modificação de alguns animais que passam a falar.

O Povo Escolhido
Esses animais depois são, em uma reunião, unidos. Eles podem ser comparados com o povo escolhido de Deus do Velho Testamento – ou judeus (hebreus) escolhidos via Abraão – para que o Filho de Deus(também presente na Criação) venha por eles salvar o mundo do pecado(repare que Aslan é o filho do Imperador do além-mar, sendo este o próprio Deus e Aslan seu filho). Mas o modo como Aslan “dá” à eles a terra de Nárnia também se assemelha à Adão e Eva recebendo o Jardim recém criado. Mas a idéia de povo escolhido é mais coerente, uma vez que se trata realmente de um povo que recebem uma terra prometida e, já profetizado, a salvação. “(...)entrego-lhes a mim mesmo." é a fala em que Aslan já prevê que se sacrificará para poder, de vez, vencer o mal que já adentrou o mundo e poder eliminá-lo(LFG). Isso é a alegoria à morte e ressurreição de Jesus, o Messias do povo Judeu (que até hoje alguns não o aceitaram), o Leão de Judá.
Mas se comparados à Adão e Eva, uma vez que cada animal estava em casal, mostra-se outro aspecto comparativo. Deus, no Éden, conversava com Adão e mantinha uma relação com ele e sua mulher. Assim como Aslan, no momento dessa reunião. O Adão e a Eva humanos, porém, podem ser confundidos, complicando uma resposta. Seriam eles Digory e Polly, ou o cocheiro e sua esposa que foram o rei e a rainha de Narnia?

A Árvore da Vida e a Tentação
“E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal(que está no meio do jardim) não comerás; porque no dia em que dela cometes, certamente morrerás” Gênesis 2:16,17. “ No cume desse monte há um jardim. No centro do jardim há uma árvore. Apanhe uma maçã dessa árvore e traga a fruta para mim.”
É impossível deixar de reparar nesse trecho que o jardim que Aslan trata é o símbolo do Jardim do Éden e a árvore tem um fruto que não deve ser comido mas é exclusivamente divino. Apesar de mais para frente a história mudar o rumo, a feiticeira ainda é a representação de Satanás quando, como forma de serpente, tentou seduzir Eva a comer do fruto proibido. Ela procura, de todas as formas, fazer com que Digory coma a fruta ou leve-a á sua mãe, quando Aslan disse que ele deveria somente levá-la até ele. Mas Lewis aqui modifica a história. A tentação de Digory cedeu foi no castelo em Charn. Agora, ele, se obedecer ao pedido de Aslan e não cair na tentação, tem a chance de se redimir e salvar sua mãe. Lewis quis mostrar dois pontos significativos. O Primeiro é que a tentação é por nós produzida(Tiago 1:13-16). Se Digory não pensasse em comer o fruto, assim como Polly, não importa o que a feiticeira dissesse que nada adiantaria, ele nem sequer pensaria em cometer o erro. Mas como Digory pensou no fruto, as palavras da feiticeira tornam-se mais um argumento (junto com os de seu pensamento) para que ele cometa o erro. Mas, pelo poder que Aslan deu para Digory ou pelo poder que Deus nos concede, é possível que o ser humano vença as tentações e não cometa os pecados. O Segundo é que Deus nos orienta de qual forma agirmos para não pecarmos e a nós só nos resta obedecê-lo. Quando comete-se um pecado, portanto, comete-se dois: o erro em si e a desobediência.
Lembre que, como ela comeu o fruto, a feiticeira foi expulsa do Éden e por anos não poderia se aproximar da árvore.

Fruto da vida, Esperança Viva.
Digory e Polly pegam o fruto, levam-no devolta à Aslan, e plantaram a árvore. Após a coroação do rei Franco e da rainha Helena Aslan deu à Digory o fruto para ele levar à sua mãe. ” O que lhe darei agora há de trazer-lhe a alegria. Em seu mundo, o fruto não trará a vida eterna, mas terá o poder de curar. Vá. Colha um fruto da árvore.” Com este fruto Digory cura sua mãe do câncer. É provável que o fruto represente a cura que Lewis procurou quando criança, e depois soube que a cura verdadeira só seria dada pelo próprio Deus(se não foi dada no período de vida eterna). O Fruto é o símbolo da esperança que Lewis manteve viva de que sua mãe foi curada por Cristo Jesus.

O fim do livro (a árvore plantada com as sementes no nosso mundo serve de madeira para o guarda-roupa) leva à “O Leão, A Feiticeira e O Guarda-roupa”. Assim Lewis conclui com três pontos básicos e de grande importância. Deus monta o nosso destino e nos escolhe para sermos salvos por ele (predestinação) assim como ele cuidou de todos os detalhes para o perfeito sacrifício, Deus nos dá a possibilidade de vencermos nossas tentações se o obedecermos e a verdadeira cura é a cura dada por Deus, ou seja, a salvação. “O Sobrinho do Mago” tem outros segredos ainda não revelados, mas o que C.S.Lewis quis transmitir, foi compreendido.

Por Jessica Grant C., sem data

Estereótipos em O Sobrinho Do Mago – O Cristianismo por trás dos personagens

Na história da criação desse mundo cheio de magia e aventura, certos paralelos entre as personagens e tipos de pessoas sob a ótica religiosa podem ser feitos. Cada uma representa um estereótipo que muitas religiões usam para lições didáticas em suas igrejas. Convertidos ou representantes do mal, as personagens principais de “O Sobrinho do Mago” tem características que ressaltam-se, facilitando a comparação.

Digory
O menino que traz características que o possam assemelhar a C.S.Lewis, o próprio escritor, perdeu, com a doença de sua mãe, a fé. Tornou-se rabugento e incrédulo, assim como Lewis ficou após a morte de sua figura materna, aos 9 anos. Apesar disso, manteve um caráter bom. Tal característica se observa quando, por conta da manipulação de seu tio, teve de seguir a Polly que tinha, acidentalmente, ido para o Bosque Entre Mundos. Ele cuida e protege a garota pela qual ele nutre um carinho e amizade profunda mesmo sem saber se voltará. Seu ceticismo, ou sua fé escondida por raiva(ele teria ódio de Deus por conta do câncer em sua mãe), faz com que ele caia em tentação. Quando estava em Charn, na sala dos reis e rainhas congelados, toca o sino, mesmo sabendo que poderia ser errado. Mais tarde, quando assiste maravilhado a criação de Narnia, recupera sua fé. A voz de Aslan é como se fosse um chamado devolta para a religião. Percebeu o poder de Aslan para salvar sua mãe e, com fé e esperança, perguntou a ele o que ele poderia fazer. Ao invés de responder, Aslan o enviou para pegar um fruto e trazê-lo para o ele. Digory vai na viagem sem indagar o porque, em uma clara manifestação de obediência e fé. Estes são também os mesmos traços que ele usa para encarar e vencer a tentação de comer o fruto da árvore da vida. A grande fé deu a ele a recompensa: a cura de sua mãe.
Digory é o cristão que, por conta de decepções próprias, transporta a culpa de seus erros para Deus e rejeita, depois, a existência desse. É o convertido que passa por uma crise e volta para a religião com um outro chamado de Deus. No caso, foi a música de criação de Narnia que trouxe a fé devolta para o coração de Digory. Verifica-se nele, também, certa inquietação e nervosismo frente a fé e a Aslan. É o que se observa no trecho: “De qualquer forma, era o mais belo som que ele já ouvira. Tão bonito que chegava a ser quase insuportável.” e na forma que ficou nervoso com a aproximação do Leão. Esse é um comportamento típico dos cristão que se desviaram ao voltar para Deus: a vergonha por seus atos anteriores, como a tentação do sino da personagem. Mas, ao contrário de Adão e Eva, Digory não come a fruta da vida. Essa é uma tentação que ele consegue superar por já ter recuperado sua crença em Deus. É a tentativa do reconvertido em apagar, com a obediência, seus atos ilícitos durante a crise vivida.

Polly
Polly é o símbolo da cristã que se converte e torna-se cautelosa e cheia de fé e amor que em raras vezes desvia seu caminho. Ela só não é um exemplo pois não é perfeita, mas chega aos pés dessa perfeição religiosa. Um de seus poucos erros é cair na tentação de tocar o anel que tio André lhe mostra. E, ainda assim, acaba por seguir um caminho já predestinado. Durante a criação de Narnia ela se encanta com a música e sente que era um chamado. Nesse momento claramente percebe-se que ela é convertida e, de certa forma, entende toda a fé que já tinha antes do ocorrido.

Cavalo Morango, depois chamado Pluma
O cavalo que foi escolhido pelo próprio Leão Aslam para ser um dos animais falantes e depois para ser o primeiro cavalo alado representa o novo convertido que esquece de todo o seu passado. No momento que ele escuta a música ele fica mais atento e com aparência jovial, que seria o início do aprendizado de um indivíduo que após sua conversão total – no caso a escolha dele como o povo de Narnia – esquece de seu passado como se nada dele valesse a pena. Na Bíblia isso é visto em II Coríntios 5:17 “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura[criação]; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.”

O cocheiro, o primeiro rei de Narnia
O cocheiro é a representação de um cristão atente e pronto para aprender e se aperfeiçoar a cada dia. Na escuridão ele canta um hino, declara que é ativo em sua igreja, e quando Aslan o escolhe como rei, ao lado de sua esposa, ele aceita passar os bons preceitos para sua geração posterior e governar com sabedoria. O cristão disposto a crescer espiritualmente aceita as responsabilidades e procura realizar seus compromissos da melhor forma, respeitando a moral e a lei imposta por Deus. Por isso o cocheiro sente conhecer Aslan de algum lugar, pois ele o conhece e o segue a tempos.
– Meu filho – disse Aslam para o cocheiro. – Há muito tempo que o conheço. Você me conhece?
– Bem, senhor, não – respondeu o cocheiro. – Pelo menos, não no sentido comum. No entanto, se me permite dizer, sinto que o conheço de algum lugar.

Tio André
O tio de Digory é o símbolo do ateu convicto. Ele não crê em Deus e não quer crer. Por isso ele transforma o ditado “ver pra crer” em “não crer pra não ver”. Ele teve medo e se perturbou na presença do Leão, tremendo também com a musica da criação. Também não entendeu o que os animais falavam – quem não crê, não entende. Assim ele mostra claramente que rejeitava a “religião” e, por isso, mesmo diante de provas incontestáveis não acreditava. É aquela pessoa que nasce, vive e morre sem crer em Deus e na religião, não importa se é verdade. Torna-se cego para a espiritualidade.

Rainha Jadis, a futura Feiticeira Branca
Simbolizando o próprio mal, Jadis odeia Aslan no instante que ela o vê, assim ocorre também com a música da criação. Ela entende o Leão e conhece sua força, por isso foge, mostrando que o mal conhece o bem e quer destruí-lo, o que Jadis tentou com o poste. Ela é o mal que viu a criação do mundo, entendeu que perderia contra o criador mas, mesmo assim, tentou lutar contra ele (o episódio do livro “O Leão, A Feiticeira e O Guarda-roupa”).

Dessa forma todos os 6 personagens principais traçam características religiosas pessoais bem perceptíveis. É capaz, assim, procurar lições que Lewis deixou em cada um. Com Digory, ele explica que é possível superar as tentações e não pecar. Com Polly, que a doçura e amizade de um cristão são tesouros. O cavalo Morango e o cocheiro são exemplos de cristãos ativos e obedientes, sendo que o primeiro teve uma conversão que o transformou totalmente. Já com os personagens “maus”, Tio André e Jadis, Lewis transmite a idéia de que se não houver fé não haverá transformação de vida e que o mal conhece o bem, podendo usar disso para manipular os crentes.

Por Jessica Grant C., 08/11/06

Creative Commons License
Fala Narnia by Jessica Grant Craveiro is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

layout por Lucas
Rolim
; versão 4.0
Copyright © 2003-09 Jessica Grant Craveiro.
Todos os Direitos Reservados.
(Veja Créditos)
Creative Commons License